Prefácio

A vida da comunidade transcorre em calma aparente. Mas, logo, um fato ocorre e faz emergir fenômenos que marcam profundamente a vida de seus habitantes.

Um fato, que tem a marca da alienação, deixa evidente a crise do poder, as disputas pessoais e aprofunda a cisão religiosa.

A estória (e poderia ser história, pois a realidade tem presenciado vivência como aquela narrada em Lua de Setembro) desenrola-se de forma interessante, despertando grande interesse do leitor que fica, em suspense, ansioso pela revelação do fato que incidiu sobre o destino de uma jovem e deixou claro que o ventre de uma cidadezinha aparentemente calma estava prenhe de disputas, desencontros e mesmo de desejo de crime.

Um leitor dirá que o centro da história é a alienação que ocupa as consciências da pequena comunidade; outro dirá que é a predisposição (e há) dos pequenos núcleos para o mágico; ainda outro tentará encontrar o centro no fato de a crise do poder político, de caráter familiar, procurar novas justificativas. Alguns dirão que certamente o autor não desejou dizer nada disso, quis apenas construir uma estória. Mas também não é fato da vida que as pessoas dizem algo sem querer dizê-lo?  O livro abre espaço a muitas leituras e cada um buscará lê-lo e entendê-lo com as mediações que sua consciência construiu: Então estará livre do autor. Já não lhe pertence.

Padres, profetas, bruxas, médico, parteira, poder, sobressalto, risco, vingança, ódio, amor, frouxidão e violência, tudo se mistura rapidamente no momento crucial de transição de Lua de Setembro, numa escritura firme e convincente.

Um belo livro, sem dúvida.

Ruy Medeiros

 

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